segunda-feira, julho 16, 2012

CORREIO MFC BRASIL Nº 290



  
DOM EUGÊNIO SALES
O Cardeal que acolheu
perseguidos dos regimes militares

N
a segunda-feira (09), dom Eugênio nos deixou, ao encontro do Pai. Além de sua longa missão religiosa no nordeste e no Rio, atuou com coragem e inteligência na defesa dos direitos humanos.

Uma das atuações de grande destaque da trajetória de dom Eugenio foi quando, de maneira silenciosa, abrigou no Rio mais de quatro mil pessoas perseguidas pelos regimes militares do Cone Sul, entre 1976 e 1982. A maioria vinha da Argentina, mas havia também chilenos, uruguaios e paraguaios. Discretamente, o cardeal cultivou relações com os militares no poder no Brasil e ajudou a salvar vidas. O capítulo inicial dessa história se desenrolou num fim de tarde do outono de 1976, quando um jovem bateu na porta do Palácio São Joaquim, escritório e residência de dom Eugenio, na Glória. Sem documentos, dizia-se refugiado do regime militar instaurado seis semanas antes na Argentina. Dom Eugenio contou ter vivido um conflito.

— Foi um drama. Com o crucifixo na mão, eu pensava: “Como cidadão brasileiro, não posso receber montonero, tupamaro, aqueles refugiados que vinham (...)”. Em seguida, repensava: “Agora eu, como pastor, tenho o dever de receber” — relembrou ele, em entrevista recente.

O cardeal pegou o telefone, um instrumento de trabalho fundamental à sua ação política nos bastidores, e ligou para o general Sylvio Frota, então ministro do Exército.

— Chamei o Frota no telefone (...) e falei: “Frota, se você receber comunicação de que comunistas estão abrigados no Palácio São Joaquim, de que estou protegendo comunistas, saiba que é verdade, eu sou o responsável. Ponto final” — recordou.

Esse gesto acabou se transformando numa grande operação. Para dar conta de tantos pedidos de abrigo de refugiados políticos, dom Eugenio autorizou o aluguel de quartos e depois apartamentos. Foram 80 imóveis alugados em 14 bairros da cidade, como Centro, Lapa, Flamengo, Copacabana e Botafogo. Dom Eugenio mandou abrir os cofres da Mitra e liberou dinheiro também para gastos pessoais, assistência médica e auxílio jurídico. Em pouco tempo, o número de foragidos das ditaduras do Cone Sul chegando ao Rio chegou a 15 por semana.

A ajuda aos perseguidos políticos não se restringiu aos nossos vizinhos. Ajudou presos brasileiros, sem distinções ideológicas, como Sebastião Paixão, dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB), que foi mandado para o presídio da Frei Caneca após ser torturado por 83 dias. Num episódio significativo, dom Eugenio deixou embaraçado o general Abdon Sena, que lhe pediu uma missa pelo aniversário do AI-5...

— Vocês que estão satisfeitos com o AI-5 podem agradecer a Deus, mas não por meu intermédio — respondeu.


OS “ANOS DE CHUMBO” E MOVIMENTOS CRISTÃOS (II)

PRISÕES E TORTURAS DE LEIGOS CRISTÃOS NO RIO E SÃO PAULO
Helio Amorim
MFC/RJ

J
osé e Lya Sollero, foram coordenadores Nacionais do Movimento Familiar Cristão - MFC (1977-1980). Sollero, em São Paulo, e sua filha, foram presos por esse esquema militar repressivo nos anos da ditadura. Guida Sollero foi torturada no aparelho do DOI-CODI no Rio, mantida isolada por um ano da família que somente pôde vê-la na audiência da instrução do processo militar. Assisti ao seu depoimento perante uma junta de cinco oficiais militares e um juiz civil, sentados em mesa colocada num palco de auditório, para que a presa ficasse dois metros abaixo, ladeada por dois gigantescos policiais fardados, para completar o cenário de intimidação.
  
Guida relatou corajosa e detalhadamente as torturas que sofreu reiteradamente: pau-de-arara, choques elétricos, socos e humilhações de todo tipo. Testemunhei a cena, único presente admitido por engano além dos pais e irmãos com suas lágrimas e sofrimento.

Em 1980, na missa de abertura do VIII Encontro Latinoamericano do MFC, em Porto Alegre, nas preces da comunidade, Sollero foi ao altar, relatou as torturas na filha e perdoou publicamente os torturadores. Pode-se imaginar o impacto desse ato e as lágrimas provocadas.

Guida foi libertada finalmente e trazida para casa de Mariana e Cyro Miranda, do MFC e ele seu advogado, recebida com festa e alívio pelas famílias da Comunidade da Barra da Tijuca, sem qualquer condenação, o que confirmava a barbárie gratuita que durou um ano.

Essa Comunidade, com dez famílias do MFC e outros movimentos cristãos, foi invadida por comando militar armado e teve também dois casais presos. Fernando e Letícia Cotrim foram presos sob acusação de pertencer a uma organização política denominada MPL (Movimento Popular de Libertação). Fernando sofreu o horror de ser obrigado a assistir às estúpidas torturas da esposa. Seu depoimento está na Revista Eclesiástica Brasileira (n.47). José e Zilda Villela foram presos pelo aparelho repressivo da aeronáutica por esconder Luiz Bustini, o filho de um amigo que, torturado, revelou o endereço do abrigo.

As pessoas que foram abrigadas na Comunidade foram muitas, enviadas pelas diversas organizações que já não tinham como fazer isso. A Igreja, vários padres, bispos, conventos e outras Instituições religiosas faziam isso também. Em dezembro de 1978, o Centro Ecumênico de Documentação e Informação, no Rio, coletou vasto material sobre a repressão sofrida pela Igreja naquela década. (1)

Cláudio e Lygia Campos, membros do MFC tiveram seu filho Cláudio, médico, também do MFC, preso e estupidamente torturado a ponto de baixar na UTI do Hospital do Exército, no Rio, depois de forçado a beber grande quantidade de água salgada, com danos graves nos rins. Seus pais foram chamados para entrevista pessoal pelo comandante da repressão militar, general Sílvio Frota, que os alertou sobre o risco de vida do filho por moléstia anterior à prisão. Queixou-se do custo elevado do tratamento que o Exército Brasileiro estava despendendo para tentar salvá-lo. Fui ao hospital e Mons. Trevisan, capelão militar, me relatou a verdade e a gravidade do caso. O jovem médico sobreviveu e foi absolvido de uma acusação irresponsável.

O MFC foi ainda perseguido com a prisão de Jorge Hue, presidente nacional do Movimento nos anos 60, e seu filho estudante. Fui à CNBB, ainda no Rio, relatei o fato interrompendo a reunião geral dos bispos que acontecia naquela manhã. D. Aloysio Lorscheider saiu do auditório, telefonou para o Gen. Frota, aos berros e socando a própria mesa, exigindo a imediata liberdade de Jorge. Foi atendido pelo general, constrangido diante do discurso nada eclesiástico do presidente da CNBB.

(1) Ver Documento Repressão à Igreja no Brasil, 1978, de D. Paulo Evaristo Arns e D. Tomás Balduino: “A máquina de tortura instalada no Estado não havia poupado nem sacerdotes”.

DIA NACIONAL DE CONTRIBUIÇÃO 2012



O
 Conselho Diretor Nacional do Movimento Familiar Cristão do Brasil divulgou a primeira prévia da arrecadação da Campanha do DIA NACIONAL DE CONTRIBUIÇÃO, que se iniciou no dia 19 de maio e tem seu termino previsto para o dia 19 de julho próximo.

Segundo estabelece o Artigo 70 do Regimento Interno do MFC, toda arrecadação se destina exclusivamente a subsidiar parte das despesas com as equipes de Infraestrutura e Metodologia para realização do Encontro Nacional do MFC, que acontece a cada três anos.

Anualmente, no período determinado pelo CONDIN, cada membro do MFC cadastrado deve contribuir com a importância de R$ 5,00 (cinco reais), recolhendo o valor à ECCi que depositará todo valor arrecadado no Banco do Brasil, Conta Corrente nº 57499-6, Agência nº 0009-4, em nome do Movimento Familiar Cristão.

Até o presente foram arrecadados R$ 2.425,00 (dois mil, quatrocentos e vinte e cinco reais), correspondente a 485 (quatrocentos e oitenta e cinco) mefecistas dos Estados de Alagoas, Espírito Santo, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Abaixo veja quem é quem nessa arrecadação parcial.

CIDADE
ESTADO
VALOR R$
Maceió
AL
130,00
Espírito Santo
ES
135,00
Nova Esperança
PR
450,00
Rio de Janeiro
RJ
650,00
Rio Grande
RS
830,00
Cocal do Sul
SC
230,00
TOTAL

2.425,00

Para a realização de um ENA inesquecível é preciso que consolide o SENTIMENTO DE PERTENÇA dos membros do Movimento Familiar Cristão. Até 19 de julho, todos os mefecistas podem contribuir com apenas R$ 5,00 (cinco reais) por pessoa, para o 18º ENA – ENCONTRO NACIONAL DO MFC, que acontecerá em Vitória da Conquista - Bahia, no período de 6 a 12 de julho de 2013.

Participe deste desafio, procure a ECCi da sua Cidade ou vá até uma Agência do Banco do Brasil e deposite o valor da sua contribuição do DIA NACIONAL DE CONTRIBUIÇÃO 2012.

Pertença – Solidez do
 Movimento Familiar Cristão

quarta-feira, julho 11, 2012

"POLÍTICA X RELIGIÃO" EM NOITE DE FORMAÇÃO

MFC VITÓRIA DA CONQUISTA-BA DISCUTE "POLÍTICA X RELIGIÃO" EM NOITE DE FORMAÇÃO


O Movimento Familiar Cristão de Vitória da Conquista – Bahia promove no dia 18 de julho de 2012, a partir das 19h30min, no auditório do Sindicato dos Bancários, NOITE DE FORMAÇÃO com o tema: POLÍTICA X RELIGIÃO. O palestrante será o Padre Edilberto Amorim, com a participação dos candidatos Eduardo Moraes, Railton e Walmi, membros do MFC de Vitória da Conquista.


O Padre Edilberto Amorim é natural de Vitória da Conquista, atual diretor-geral da Fundação Pública Esaú Matos. Sua trajetória é marcada pelos trabalhos de pároco e também por uma rotina que vai muito além do sacerdócio. Desde 2001, padre Edilberto executa um trabalho de luta contra o uso de substâncias químicas. Por conta disso, preside a Comunidade Terapêutica Fazenda Vida e Esperança (Cotefave), entidade sem fins lucrativos, localizada na zona rural do município de Barra do Choça, a 30 km de Vitória da Conquista. Padre Edilberto também é presidente do Banco do Povo e membro do Conselho de Segurança Pública do município.

Postado por MFC NOTÍCIAS



terça-feira, julho 10, 2012

Morre no Rio, aos 91 anos, o cardeal Dom Eugênio Sales



Portal TerraMorreu no final de noite dessa segunda-feira, no Rio de Janeiro, o cardeal Dom Eugênio de Araújo Sales, arcebispo emérito da Arquidiocese do Rio de Janeiro, aos 91 anos, vítima de infarto. Dom Eugênio Sales tinha histórico de problemas cardíacos e usava um marca-passo. Ele morreu em sua casa, no Sumaré, na zona oeste da capital fluminense.
Nascido em Acari, no Rio Grande do Norte, em 8 de novembro de 1920, Dom Eugênio de Araújo Sales era o mais antigo cardeal da Igreja Católica, segundo informação da Arquidiocese do Rio de Janeiro. Seu velório está marcado para esta terça, na catedral da cidade.
Dom Eugênio foi ordenado sacerdote em Natal, em 21 de novembro de 1943, e bispo em 15 de agosto de 1954. Foi promovido a Arcebispo Primaz do Brasil em 29 de outubro de 1968, tomando posse como arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro em 24 de abril de 1971, sendo nomeado pelo papa Paulo VI. O religioso ocupou o cargo até 25 de julho de 2001.
Segundo a Arquidiocese fluminense, seu lema, fundamentado na Carta de São Paulo aos Coríntios, foi: "Impendam et Superimpendar" (2Cor 12,15: "De muito boa vontade darei o que é meu, e me darei a mim mesmo pelas vossas almas, ainda que, amando-vos mais, seja menos amado por vós").
O velório do cardeal está marcado para meio-dia desta terça-feira, na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro. De acordo com a arquidiocese, serão celebradas missas e orações a cada duas horas. O corpo será sepultado nesta quarta-feira, às 15h, na própria catedral.

Fonte/Terra


MFC APRESENTARÁ "INSTITUTO DA FAMÍLIA" PARA PAÍSES DA AMÉRICA DO SUL


Luiz Carlos e Rita - MFC Juiz de Fora - MG

O
 casal Rita e Luiz Carlos Torres Martins, do MFC Juiz de Fora - MG, ex-coordenadores nacionais do Movimento Familiar Cristão do Brasil – Gestão 1998/2001, estarão no período de 13 a 15 de julho de 2012, em Assunção, capital do Paraguai, a convite da coordenação do EZO – Encontro do Zonal Sul, que compreende o MFC na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai.

O casal Rita e Luiz Carlos viajam com o conhecimento e apoio do casal Eduardo e Ismari, atuais coordenadores nacionais do MFC Brasil. Rita e Luiz Carlos vão compartilhar no EZO, a experiência e vivência sobre um dos mais importantes serviços prestado à família brasileira pelo Movimento Familiar Cristão, o INFA - INSTITUTO DA FAMÍLIA.

INFA - INSTITUTO DA FAMÍLIA
Em 1971, um grupo de casais do Movimento Familiar Cristão - MFC reuniu-se para avaliar suas tentativas de ajudar outros casais e famílias em crise. Até então, esse tipo de apoio era oferecido por pessoas de boa vontade, com certo jeito de conselheiros, mas sem formação profissional para isso. Esse aconselhamento dava bons resultados, naturalmente. A maior parte dos casos que surgiam eram de pouca gravidade. Com o crescimento da demanda, começavam a aparecer casos mais complicados. Os casais conselheiros, ainda que treinados para fazer o melhor, sentiam-se impotentes. Assim, nasceu o INFA.

Era preciso dispor de uma instituição capaz de manejar esses problemas conjugais e familiares com profissionalismo, sem que se perdesse a inspiração original: o carisma do MFC, um movimento de laicos cristãos, comprometidos com a construção de um mundo mais justo em que todas as famílias possam se humanizar e realizar plenamente as suas funções essenciais.

Contatos com profissionais da área de psicologia permitiram desenhar o que seria essa instituição. Psicólogos que se identificavam com aquele carisma, também desejosos de colocar seu saber a serviço dos que precisavam, mas não tinham como pagar sessões de terapia em seus consultórios, dispuseram-se a dedicar parte do seu tempo ao INFA.

A instituição deveria ser laica, não confessional, para que profissionais bem formados se sentissem sempre livres para atuar de acordo com sua ciência e sabedoria, sem condicionamentos doutrinários que pudessem influir no seu desempenho.

A missão do INFA é servir às famílias, especialmente as mais carentes, para que passem de condições menos humanas, para condições dignas de vida, em todos os seus aspectos: social, econômico, emocional, cultural e espiritual. Nossos objetivos são:

a) Pesquisar e estudar, com base científica e interdisciplinar, as realidades sociais, econômicas, culturais, morais, espirituais, psicológicas e religiosas da família no mundo atual e a projeção destas realidades para o futuro, organizando e divulgando os resultados em documentação que incentive a promoção global da família e o fornecimento de meios para que ela possa ajustar-se às realidades em que vive.

b) Promover cursos, simpósios, seminários, debates, conferências e outras atividades:
- para a comunidade em geral, visando à orientação para a vida pessoal, familiar e social; à capacitação para integração ao mercado de trabalho; ao desenvolvimento de habilidades e talentos; à prevenção da dependência química; à orientação para a maternidade e o planejamento familiar e outras atividades promocionais dessa natureza.
- para o aprimoramento, capacitação e treinamento de pessoas e entidades dedicadas ao atendimento terapêutico e aconselhamento familiar, à elaboração e implementação de políticas sociais familiares e à realização de programas da pastoral familiar.

c) Propiciar, preferencialmente à população carente - independentemente de sua faixa etária, posicionamento político, raça, credo religioso e, inclusive, sem discriminação à pessoa portadora de deficiência - facilidades para o atendimento médico, psicológico, psicopedagógico, fonoaudiológico, jurídico e outros, por profissionais habilitados, com vistas a superar problemas pessoais e familiares que exijam apoio profissional especializado nessas áreas.

d) Promover atividades assistenciais e de promoção humana para famílias, especialmente focadas nas crianças, adolescentes e idosos, carentes de alimentação, nutrição, saúde e instrução.

Atualmente o INFA - INSTITUTO DA FAMÍLIA funciona no Rio de Janeiro - RJ com três unidades, em Juiz de Fora – MG com um unidade, em Divinopolis – MG com uma unidade, em Pirassununga – SP com um unidade.

Está em implantação a unidade do INFA - INSTITUTO DA FAMÍLIA de Ubá – MG, que já possui sua sede própria.

sábado, julho 07, 2012

COMEÇA NA SEGUNDA-FEIRA (09) A 3ª JORNADA DA FAMÍLIA DO MFC VITÓRIA DA CONQUISTA-BA



O
 Movimento Familiar Cristão de Vitória da Conquista – Bahia e as Paróquias de Santo Antônio de Lisboa e Nossa Senhora de Fátima promovem a 3ª JORNADA DA FAMÍLIA.
  
O evento tem inicio na próxima segunda-feira, 9 de julho e prossegue até a quarta-feira, 11 de julho, sempre às 19h30min, no Centro Paroquial Frei Flaviano, em Vitória da Conquista.

Na segunda-feira, 9, o tema será “PAIS E FILHOS: FUNDAMENTADOS NO AMOR”. Na terça-feira, 10, o tema será “CASAMENTO: PROJETO DE DEUS”. Na quarta-feira, 11, o tema será “IGREJA: CAMINHO DE ENCONTRO DA FAMÍLIA COM DEUS”.

A ECCi de Vitória da Conquista espera a participação maciça da família mefecista nesta 3ª JORNADA DA FAMÍLIA.

quarta-feira, julho 04, 2012

CORREIO MFC BRASIL Nº 289




O QUE INDICAM ESTES NÚMEROS?
Os dados que acabam de ser apresentados pelo IBGE com respeito às religiões brasileiras no Censo Demográfico de 2010 confirmam a situação de progressivo declínio na declaração de crença católica. Os dados apresentados indicam que a proporção de católicos caiu de 73,8% registrados no censo de 2000 para 64,6% nesse último Censo, ou seja, uma queda considerável.

CATOLICISMO NO BRASIL EM DECLÍNIO:
OS DADOS DO CENSO DE 2010

Faustino Teixeira
PPCIR/UFJF

T
rata-se de uma redução que vem ocorrendo de forma mais impressionante desde o censo de 1980, quando então a declaração de crença católica registrava o índice de 89,2%. Daí em diante, a sangria só aumentou: 83,3% em 1991, 73,8 % em 2000 e 64,6% em 2010. O catolicismo continua sendo um “doador universal” de fiéis, ou seja, “o principal celeiro no qual outros credos arregimentam adeptos”, para utilizar a expressão dos antropólogos Paula Montero e Ronaldo de Almeida. A redução católica ocorreu em todas as regiões do país, sendo a queda mais expressiva registrada no Norte, de 71,3% para 60,6%. O estado que apresenta o menor percentual de católicos continua sendo o do Rio de Janeiro, com 45,8% (uma diminuição com respeito ao censo anterior que apontava 57,2%). O estado brasileiro com maior percentual de católicos continua sendo o Piauí, com 85,1% de declarantes (no censo anterior o registro era de 91,4%). Os dados indicam que o Brasil continua tendo uma maioria católica, mas se a tendência apontada nesse último censo continuar a ocorrer teremos em breve uma significativa alteração no campo religioso brasileiro, com impactos importantes em vários campos.

O novo censo aponta um dado que já era previsível, a continuidade do crescimento evangélico no Brasil. Foi o segmento que mais cresceu segundos os dados agora apresentados: de 15,4% registrado no censo de 2000 para 22,2%. O aumento é bem significativo, em torno de 16 milhões de pessoas. Um olhar sobre os três últimos censos possibilita ver claramente essa irradiação crescente: 6,6% em 1989, 9,0% em 1991, 15,4% em 2000 e 22,2% em 2010. O Brasil vai, assim, se tornando cada vez mais um país de presença evangélica. Há que sublinhar, porém, que a força desse crescimento encontra-se no grupo pentecostal, que é o responsável principal por tal crescimento, compondo 60% dos que se declararam evangélicos (nada menos do que 13,3% de todo percentual evangélico diz respeito aos pentecostais e 4,8% aos de origem evangélica não determinada). Os evangélicos de missão não registram esse crescimento expressivo, firmando-se em 18,5% da declaração de crença evangélica.

Os “sem religião”, que no censo de 2000 representavam a terceira maior declaração de crença no Brasil mantiveram o seu crescimento, ainda que em ritmo menor do que o ocorrido na década anterior. Eles eram 7,28% no censo de 2000 e subiram agora para 8% (um índice que comporta mais de 15 milhões de pessoas), e o seu registro mais significativo continua sendo no Sudeste.Esse crescimento não indica, necessariamente, um crescimento do ateísmo, mas uma desfiliação religiosa, um certo desencanto das pessoas com as instituições religiosas tradicionais de afirmação do sentido. Reflete um certo “desencaixe” dos antigos laços, como bem mostrou Antônio Flávio Pierucci em suas pesquisas.

Os espíritas também seguem crescendo. Os dados do censo de 2010 indicam um crescimento importante, com respeito ao censo anterior: de 1,3% para 2%. São agora cerca de 3,8 milhões de adeptos declarantes. Trata-se do núcleo que tem os melhores indicadores de educação, envolvendo o maior número de pessoas cm nível superior completo (31,5%). Os dados apontados pelo censo são importantes, mas há que lembrar a presença de uma “impregnação espírita” na sociedade brasileira que escapa à abordagem  estatística. Isso os estudiosos do espiritismo têm mostrado com pertinência. As crenças e práticas espíritas têm uma alta “ressonância social”, transbordando a dinâmica de vinculação aos centros espíritas.

Quanto às religiões afro-brasileiras, tanto a umbanda como o candomblé mantiveram-se no eixo de 0,3% de declaração de crença. Não houve mudança substantiva com respeito ao censo anterior, que indicava a porcentagem de 0,26% para a umbanda e 0,08 para o candomblé.

Com respeito às outras religiões, permanecem com uma representatividade pequena que em sua soma geral não ultrapassa 3,2% de declaração de crença. Mantém-se viva a provocação feita por Pierucci em artigo escrito depois do censo de 2000 sobre a diversidade religiosa no Brasil, de que o Brasil continua hegemonicamente cristão, e a diversidade religiosa – ainda que em crescimento -, permanece apertada em estreita faixa um pouco acima de 3% da declaração de crença. Com base nos dados do censo agora apresentado, os cristãos configuram 86,8% da declaração de crença. Não há dúvida que isso pode ser problematizado com a questão complexa da múltipla pertença ou então da malha larga do catolicismo, que envolve, como diz Pierre Sanchis a presença de “muitas religiões” em seu interior.

segunda-feira, julho 02, 2012

ASSISTENTE ECLESIÁSTICO DO MFC - DOM ANGÉLICO SANDALO BERNARDINO



Dom Angélico Sandalo Bernardino

 
D
om Angélico Sandalo Bernardino nasceu em Saltinho, em 19 de janeiro de 1933, hoje  com 79 anos continua no vigor do trabalho pastoral, convidado a pregar retiros e participar de encontros promovidos pelas dioceses do Brasil.

Dom Angélico estudou Filosofia em São Paulo e Teologia no Seminário Maior Nossa Senhora da Conceição em Viamão. Em Ribeirão Preto cursou a faculdade de Jornalismo. Foi ordenado sacerdote aos 12 de julho de 1959. Foi ASSISTENTE ECLESIÁSTICO DO MOVIMENTO FAMILIAR CRISTÃO; diretor espiritual do Seminário Arquidiocesano em Brodowski, de 1961 a 1962; coordenador de pastoral; diretor do jornal Diário de Notícias; das Equipes de Nossa Senhora e dos Cursinhos de Cristandade.

Foi nomeado bispo-auxiliar de São Paulo pelo Papa Paulo VI, em 12 de dezembro de 1974 com a sede titular de Tambeae. Recebeu a ordenação episcopal no dia litúrgico da Conversão do Apóstolo São Paulo, dia 25 de janeiro de 1975, pelo Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns.

Na Arquidiocese de São Paulo teve atuação marcante em favor da população menos favorecida, sendo bispo responsável pela Pastoral Operária. Foi Vigário Episcopal das Regiões Episcopais em São Miguel Paulista, (a referida região foi desmembrada da Arquidiocese de São Paulo e se constitui na atual Diocese de São Miguel Paulista assumindo posteriormente Dom Fernando Legal) e das Regiões Episcopais de Belém e Brasilândia.

Foi responsável pela Cáritas no regional Sul-1 da CNBB; diretor do Jornal O São Paulo. Em 1992 participou da Quarta Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, em Santo Domingo. Em 1999 foi delegado eleito na Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para América que ocorreu em Roma. De 1995 a 2002 foi membro da Comissão Episcopal de Pastoral-Setor Vocações e Ministérios da CNBB, período que ocorreu o Ano Nacional das Vocações.

Foi nomeado pelo Papa João Paulo II, aos 19 de abril de 2000 para ser o primeiro bispo da nova Diocese de Blumenau. Tomou posse em Blumenau no dia 24 de junho de 2000. No período em que esteve em Santa Catarina foi presidente do regional Sul-4 da CNBB; delegado eleito na Conferência de Aparecida.

Em 18 de fevereiro de 2009 teve a sua renúncia aceita por limite de idade, pelo Papa Bento XVI no governo da Diocese de Blumenau. É membro da Subcomissão para os Bispos Eméritos da CNBB.