segunda-feira, março 19, 2012

Por uma verdadeira cultura da tolerância


“Ninguém mais tolera nada. A intolerância é a principal razão dos divórcios, das brigas de casais e famílias, dos desentendimentos entre profissionais, políticos, igrejas e nações”, - afirmam, sem pestanejar, jovens e velhos. Esta crença popular não deixa de ter sua razão, já que a tolerância é a virtude necessária para elevar o ser humano à condição de civilidade.

Deonira L. Viganó La Rosa

Terapeuta de Casal e Família. Mestre em Psicologia.



A tolerância é indispensável para o exercício das coisas pequenas do cotidiano e expressa mais que respeito, polidez ou piedade. Ela sinaliza a presença de grande sabedoria.

Um exemplo de intolerância

As recentes e repetidas publicações de tiroteios em escolas, de assassinatos passionais e no trânsito, de prisões e condenações à morte ou a multas estratosféricas pelo único motivo de pessoas haverem escolhido seu credo religioso, ou expressado sua opinião desagradando o governo de seu país, são o sinal de quanto ainda estamos longe do respeito á liberdade de cada pessoa - naturalmente, quando exercida dentro do que é universalmente considerado ético.

Você se deu conta de quanto o dogmatismo, a rigidez, a imaturidade emocional e a intolerância estão por trás destes fatos.

Características de uma pessoa intolerante

A pessoa intolerante tem a tendência a perceber as questões humanas como sendo simples e, por isso, costuma recorrer a soluções do tipo branco ou preto, bom ou mau, certo ou errado, ganhar ou perder. Com isso, deixa escapar um rico leque de nuances, de sons e tons que se encontram entre os extremos. É como se ela perdesse o espetáculo do movimento da vida

O intolerante se nega a deixar abertas algumas questões complicadas, difíceis de entender, ou sobre as quais nem os cientistas têm suficientes informações, e exige-lhes o fechamento imediato ou sua “correta” conclusão.

Aquele que é intolerante mantém uma agressividade com relação a indivíduos e grupos específicos, à sua maneira de ser, a seu estilo de vida e às suas crenças e convicções.

Pesquisadores encontraram que pessoas intolerantes também são dogmáticas, rígidas, de mente fechada, preconceituosas, ansiosas, punitivas, não criativas e agressivas.

E ser tolerante, em que consiste?

Ser tolerante é estar disposto a admitir nos outros uma maneira de ser e de proceder diferente da nossa, é ter uma atitude de aceitação do legítimo pluralismo.

Estimular, neste sentido, a tolerância pode contribuir para resolver muitos conflitos e para erradicar muitas violências, na família, na igreja e na sociedade. E como os conflitos e as violências proliferam hoje, devemos pensar que a tolerância é um valor que - necessária e urgentemente - se deve promover.

Uma pessoa que pratica a tolerância está se imunizando contra o fanatismo (na dimensão pessoal), contra o fundamentalismo (na dimensão religiosa) e contra o totalitarismo (na dimensão de Estado ou de Governo).

A tolerância deve ter limites ou não?

A tolerância tem a sua justa medida. Ninguém pensa de verdade que impor a lei justa e a legítima autoridade teria de considerar-se como uma manifestação de intolerância.

"A tolerância pára no limiar do crime”. Nesse sentido, não se pode ser tolerante para com a tortura, o estupro, a pedofilia, a escravidão, o narcotráfico, o terrorismo, a guerra. Parece claro que, se nos deixássemos levar por esses erros, acabaríamos sob a lei do mais forte. Seria impossível estabelecer um sistema de Direito. Seria como a lei da selva. Não haveria forma de viver pacificamente em sociedade.

Entretanto, muitas vezes é difícil estabelecer o que é “não tolerável”. Uma pessoa sábia duvida de que seja ela a primeira a saber onde está a verdade, o limite, o bem. Ela está ciente de que a busca da verdade é um processo perene, por isso, respeita as opiniões e práticas dos outros, ainda que sejam diferentes das suas, ainda que não as aprove expressamente. E sabe que o bem e o mal não se apresentam assim tão claros nos dias de hoje.

Para nós cristãos a verdade é uma PESSOA – é Jesus –, portanto, ninguém fora dele a possui plenamente - nem a Igreja. Aqueles que pretendem ser “donos da verdade", que não admitem dúvidas, terminam sendo intolerantes em aceitar outros posicionamentos e vão se fechando a tudo o que se apresente diferente ou incompreensível ao seu esquema conceitual.

A verdade é Deus, Deus é amor, portanto, a verdade é o amor, é a caridade. E é processual, pois Deus é infinito e sempre tem o novo para nos mostrar .

Fonte correio eletronico Helio Amorim INFA n.64

quarta-feira, março 14, 2012

CONDIR NORDESTE SE REUNIRÁ EM MARECHAL DEODORO(AL)


Rancho Pé de Pinhão será o local da reunião do CONDIR/NE


O
Conselho Diretor Nordeste do Movimento Familiar Cristão (CONDIR-NE) estará reunido no período de 14 a 15 de abril na Cidade de Marechal Deodoro, em Alagoas, para a 4ª Reunião Administrativa da Gestão 2010/2013.

O Conselho se reunirá para avaliar o desempenho do MFC, estabelecer metas e trocar informações referentes às atividades mefecistas no âmbito regional para que possa haver sucesso nas metas planejadas.

Participarão da reunião os mefecista James e Fátima (coordenadores regional e estadual Alagoas), Vamberto e Marly (vice-coordenadores regional), Jorge e Penha (Sercom), Florisval e Eliana (Serfin), Pe. Arnaldo (assessor eclesiástico), José Newton e Ariadna (ex-coordenadores regionais), Alexsandra e Joel (coordenadores estadual Bahia), Mário e Liliana (coordenadores estadual Ceará) e Luiz Antônio e Maria José (coordenadores estadual Sergipe) e os demais integrantes do MFC/NE comprometidos com sua caminhada.

A coordenação do Movimento Familiar Cristão de Alagoas, na qualidade de anfitrião, já começou a trabalhar na organização do evento que acontecerá no Rancho Pé de Pinhão, uma propriedade com muito verde, rica fauna e flora e que tem uma completa infraestrutura para receber os participantes do CONDIR-NE.

Os mefecistas participantes do CONDIR-NE terão a oportunidade de conhecer as belezas e a cultura da Cidade Histórica de Marechal Deodoro, a primeira Capital de Alagoas e terra do primeiro presidente da Republica Federativa do Brasil.

MARECHAL DEODORO – AL
A Cidade de Marechal Deodoro foi fundada em 1611 com o nome de povoado de Vila Madalena de Sumaúna. Servia para proteger o pau-brasil do contrabando e da ação de piratas e outros ladrões. O município foi criado em 1636, sendo a vila designada por Santa Maria Madalena da Lagoa do Sul. Em 1817 passou a capital da capitania de Alagoas, criada nesse ano, sendo o nome da vila alterado para Alagoas. Em 1823 foi elevada a cidade. A capital da província de Alagoas passou para Maceió em 1839. O nome da cidade foi alterado para o atual no ano de 1939, em homenagem ao Marechal Deodoro da Fonseca, alagoano que foi o primeiro presidente da república do Brasil.

Em 16 de setembro de 2006, dia da emancipação política de Alagoas, foi considerada pelo Ministério da Cultura como Patrimônio Histórico Nacional, em virtude do seu passado e de ter sido berço do Marechal Deodoro da Fonseca, proclamador da República Brasileira.

O município faz parte da Região Metropolitana de Maceió e faz limites com as cidades de Pilar, São Miguel dos Campos, Satuba, Santa Luzia do Norte, Coqueiro Seco e com o Oceano Atlântico. Está localizada há 5 metros acima do nível do mar, tem área de 363,3 km2. Clima temperado, variando entre 29° 22°C. Sua economia baseia-se na cana-de-açúcar, na pesca, no coco e no turismo.

Marechal Deodoro é banhado pelas lagoas Mundaú e Manguaba e tem como atrativos naturais a Ilha de Santa Rita(maior ilha lacustre do país e área de preservação ambiental), a Prainha, a Praia do Saco (própria para o nudismo), a Bica da Pedra, o povoado de Massagueira e a conhecida Praia do Francês.

Seus principais eventos são: Campeonatos de Surf, Festival de Verão, Carnaval, Festa do Pato, Baile Histórico, São João, Festival Lacustre e Encontro Cultural.

Marechal Deodoro é também sinônimo de interação entre natureza e a arte. O município mostra exemplos do que há de mais belo no artesanato, com as rendas como o labirinto e o filé, unindo a beleza das cores à suavidade dos fios.

A cada passo que se dá em Marechal Deodoro pode-se apreciar algum tipo de artesanato feito pelos moradores locais. Ora vê-se uma senhora sentada à porta de casa manuseando a agulha e a linha para produzir uma blusa de filé, ora encontra-se um artesão moldando tiras de palha para fazer uma cesta. Faz parte da tradição de cada família: os filhos aprendem com os pais, as filhas com as mães, tias ou avós. Definitivamente o artesanato está enraizado na cultura de cada família, tal como a música.

segunda-feira, março 12, 2012

VII Encontro Mundial das Famílias


VII Encontro Mundial das Famílias


O Simpósio nacional da Família é um dos encontros que culminará no Encontro Mundial em Milão, conforme carta do Papa anexa. Quem puder se fazer presente terá uma valiosa experiência.

O Pontifício Conselho para a Família, do Vaticano, em conjunto com a arquidiocese de Milão, na Itália, estão promovendo o 7º Encontro Mundial das Famílias, que acontecerá de 30 de maio a 03 de junho, em Milão. O tema deste encontro será “A Família: O trabalho e a festa”.

Todas as informações do Encontro Mundial das Famílias podem ser adquiridas no endereço eletrônico: www.family2012.com, que estão disponíveis em seis línguas, inclusive na língua portuguesa.

Estão previstos na programação do evento congressos, feiras literárias internacionais, debates, mesas redondas, missas e um encontro com o papa Bento XVI.

Em carta ao presidente do Pontifício Conselho para a Família, cardeal Ennio Antonelli, o papa Bento XVI destaca a preparação para o 7º Encontro Mundial das Famílias.

quinta-feira, março 08, 2012

Parabéns ....Mulheres !!!!



O
Dia Internacional da Mulher, que celebramos hoje, 8 de março, teve origem nas manifestações femininas por melhorias em suas vidas, mormente no que diz respeito aos direitos essenciais como condições mais favoráveis de trabalho, salários justos e o direito ao voto. Esta data foi oficialmente reconhecida e adotada pelas Nações Unidas em 1975, Ano Internacional da Mulher, para lembrar os sofrimentos, as discriminações e as violências sofridas pela mulher, bem como as melhorias sociais, políticas e econômicas conquistadas.

Entre todas as datas comemorativas esta deveria ser a mais festejada, comemorada, pois referente à mulher: amiga, esposa, filha e, a mais sublime de todas: mãe. A mulher traduz em sua leveza de anjo protetor toda a felicidade de que o bicho homem precisa. Ela empresta ao mundo o componente de harmonia e de amor que edifica e transforma.

A beleza sempre teve na mulher sua substância e expressão mais forte. Assim foi na Mitologia Grega que divinizou Afrodite e, nas épicas histórias: Helena, Cleópatra e Dalila. A imagem bela da mulher marca a poesia, a música, a pintura e a escultura; perpassa o sublime e o trágico. Porém, se esse sentimento é permanente, mudam os comportamentos, as formas de tratar a mulher: ora é pedestalizada e submissa, ora é demonizada e oprimida. A cultura de cada época tece a dialética da história feminina.

Não faz muito tempo, existiam funções e comportamentos privativos do homem ou da mulher, campos demarcados e até mesmo opostos. A mulher ficava em casa cozinhando, lavando, criando filhos e costurando as roupas do seu amo e senhor - o despótico, incontestado, másculo e valente marido, trabalhava duro ou vadiava, fazia a guerra ou assaltava - mas só ele era o chefe da família, só ele ditava leis e costumes, só ele governava nações.

Hoje a coisa está diferente. A mulher fica em casa tão pouco quanto o homem. Frequenta universidades, dirige empresas, maneja metralhadoras, tripula astronaves, elege-se chefe de Estado e fala de igual para igual com o marido.

Assim, confiante e feliz, é que neste dia dedicado internacionalmente as mulheres, o MFC – Movimento Familiar Cristão saúda com muito carinho e confiança a todas as mulheres mefecistas.


quarta-feira, março 07, 2012

TARDE DE FORMAÇÃO EM JEQUIÉ-BAHIA

No último Sábado (03/03/) a ECE-equipe de coordenação estadual , representada por seus coordenadores, Alexsandra e Joel , esteve reunida com os membros do MFC de Jequié no salão da comunidade das irmãs Medianeira da Paz. E o tema para animar a conversa foi :MOTIVAÇÂO E REALIZAÇÃO. Após a acolhida muito colorida e alegre conduzida por Cyntia e Sandra do MFC de Jequié , deu-se inicio as atividades com a solicitação da coordenação que os grupos Joaquim Romão e Mandacaru , respondesse as seguintes perguntas:

1-COMO VAI O MFC EM JEQUIÉ?

2-QUAL O BALANÇO DESTES ÚLTIMOS TRÊS ANOS? INCLUIA NESTE BALANÇO UMA AVALIAÇÃO DESTA COORDENAÇÃO.

3-QUAIS ASPIRAÇÕES? DESEJOS E SONHOS PARA O FUTURO?

Após a partilha de cada grupo e as colocações da coordenações sobre os assuntos levantados , uma breve explanação sobre o tema proposto incluindo um teste(autocrítica) Sou um emefecista comprometido? (disponibilizado no Fato & Razão N.68pg.47,48).Em seguida foi repassado informações sobre o MFC a nível estadual, regional e nacional. Encerrando a atividade as 20:00hs em clima de muita confiança e com os ânimos renovados conforme avaliação da plenária.

CURIOSIDADES:

Jequié é um município brasileiro localizado no sudoeste da Bahia e fica há 365 km de Salvador. È conhecida por possuir um clima mais quente que o verão carioca. Cercada de montanhas, a cidade sofre com o calor durante quase todo o ano. Em dias de verão a temperatura pode chegar a 48°C. Jequié é rico em minério de Ferro, por isso é muito quente durante o dia e frio durante a noite. Com este clima quente e com muita alegria a coordenação foi recebida na casa de D. Vera, com um delicioso almoço e muito aconchego por parta da família e de cada emefecista que chegava .

segunda-feira, março 05, 2012

Maria Zaqui -Deixa Saudades..............


Enterrada nesta segunda-feira (05/03), a Sr. Maria Zaqui Arruda, ministra da eucaristia e Catequista na Paróquia Santa Clara do bairro Stela Reis em Eunáplois/Ba, mãe do nosso irmão é amigo Rogério do MFC, equipe-base Renascer.

Dona Maria tinha problemas cardíacos e foi transferida para o Hospital Rio Doce em Linhares-ES onde foi internada no dia 28/02 para o implante de uma válvula mitral, procedimento realizado na última quarta-feira (29/2) indo a óbito neste domingo (04/03).

O MFC de Eunápolis se solidariza com o sofrimento da família de Rogério e reza ao Nosso Pai que receba Dona Maria em seus braços, pois aqui entre nós ela deixou saudades, sua alegria será sempre lembrada por todos que partilhou do seu convívio .

domingo, fevereiro 26, 2012


MFC - MOVIMENTO FAMILIAR CRISTÃO

28 DE FEVEREIRO 2012 - CORREIO MFC BRASIL Nº281 – 6800 DESTINATÁRIOS

Neste ano a memória do Concílio Vaticano II se faz presente de maneira especial. Já se passaram 50 anos de sua abertura, em 11 de outubro de 1962. É uma data que vale a pena ser celebrada.

Fraternidade e Concílio


Dom Demétrio Valentini

Bispo de Jales (SP) e Presidente da Cáritas Brasileira

Adital

Mas não é preciso esperar outubro para descobrir nos anais da história os vestígios deste vasto acontecimento. Com a chegada da quaresma, nos deparamos com uma iniciativa que é herdeira legítima da fecundidade histórica do Concílio.

Trata-se da Campanha da Fraternidade. Ela leva a marca registrada do Concílio. Não se entenderia a consolidação desta campanha, sem relacioná-la com o contexto conciliar que criou o ambiente, onde ela pôde nascer e se desenvolver, até criar as raízes sólidas que cada ano reproduzem novos rebentos de sua vitalidade.

De fato, basta conferir as datas, para perceber a íntima relação da Campanha da Fraternidade com o desenrolar do Concílio. Ela foi realizada a primeira vez em 1962, justo no ano da primeira sessão conciliar. Foi lançada por três dioceses, sob a liderança da Arquidiocese de Natal, no Rio Grande do Norte. No ano seguinte, já eram dezesseis dioceses que a assumiam em conjunto. Para em 1964 ser assumida por toda a CNBB.

Atrás destas datas, percebemos o cenário maior do processo conciliar em plena ebulição. Cada ano, os bispos passavam mais de dois meses em Roma, participando dos trabalhos conciliares. Os brasileiros estavam hospedados na "Domus Mariae”, a casa da Ação Católica Italiana. O ambiente era propício para a convivência fraterna e para o diálogo em torno das questões eclesiais suscitadas pelo Concílio.

Compreende-se então que uma iniciativa como esta, em sintonia com as propostas conciliares, fosse olhada com simpatia, e logo assumida pelos bispos, sequiosos de colocar em prática as orientações pastorais decorrentes do Concílio.

De fato, desde o seu inicio a Campanha da Fraternidade tentou inserir os valores que o Concílio ia explicitando. Daria para elencar diversos. O primeiro destes valores era a nova consciência de pertença eclesial, despertada pela visão de Igreja como Povo de Deus. Não é por acaso que o lema da primeira Campanha em nível nacional, em 1964, era exatamente este: "Lembre-se: você também é Igreja”.

Outro valor que emergia com força dos debates conciliares era a missão dos bispos e a importância de sua comunhão episcopal, como co-responsáveis pela Igreja. Pois bem, a Campanha se apresentava como um ótimo instrumento para assumir na prática esta comunhão, dando força à ação de cada bispo em sua respectiva diocese.

Não menos insistente era a urgência da Igreja se inserir na realidade, levando sua presença de serviço fraterno e de estímulo para a participação dos leigos na vida social e política. A Campanha assumia esta preocupação, escolhendo temas de interesse da sociedade, e estimulando a reflexão e a participação organizada.

Em todo o caso, neste ano em que nos propusemos "revisitar o Concílio”, por ocasião do jubileu de 50 anos de sua abertura, encontramos na Campanha da Fraternidade um dos seus frutos mais consistentes e maduros. Se queremos encontrar vestígios da caminhada positiva despertada na Igreja pelo Concílio, temos na Campanha da Fraternidade um exemplo eloquente e altamente meritório.

Além do seu tema, desta vez a própria Campanha da Fraternidade, por sua trajetória histórica, nos interpela e nos desafia a retomar o clima de intensa participação eclesial, que o Concílio despertou com generosidade, mas que precisa ser retomado e sustentado.

A Campanha da Fraternidade continua nos lembrando que "todos somos Igreja”, com direito a participar de sua vida, e com o dever de assumir sua missão.

Cristologia: a Eucaristia

Por eucaristia, segundo o Dicionário Aurélio, entende-se “um dos sete sacramentos da Igreja Católica, no qual Jesus Cristo se acha presente sob as aparências de pão e de vinho, com seu corpo, alma e divindade”. Por celebração eucarística entende-se, hoje, a celebração da missa segundo ritos preestabelecidos, presidida por um ministro ordenado com credenciais para isso. Mas esses dois conceitos nem sempre foram tão restritos assim.


Eucaristia nem sempre foi missa ou sacramento.



João Schmitt*

Além da vigília pascal e observância dos sábados, que continuavam praticando à moda e ritos judaicos, os primeiros cristãos introduziram diversas outras reuniões. Por obediência ao preceito de Jesus “Fazei isso em minha memória” promoviam especialmente uma reunião com ceia comunitária, denominada então de eucaristia, quando colocavam em destaque os ensinamentos do Senhor, com orações de ação de graças (eu-xáris) sobre o vinho e o pão. De início, muito informalmente, em idioma local, sem cerimônia específica e ritos determinados, com espaço até para abusos. Paulo condena o procedimento da comunidade de Corinto de promover separadamente a ceia dos ricos e a dos pobres (1Cor 11,17-26).

A presidência da reunião ficava por conta de um líder natural, pessoa geralmente mais idosa (presbítero) escolhida pelo próprio grupo, sem exclusão de mulheres que lideravam determinadas comunidades. Por meados do século III, para facilitar o encaminhamento da ceia eucarística nas comunidades menos letradas, alguns epíscopos sentiram a utilidade de estabelecer determinadas leituras, normas e ritos para a ocasião, variando de uma região para outra, sem entender que a padronização fosse por exigência divina.

A certeza na presença do Senhor se baseava na promessa de que ele estaria realmente presente onde duas ou mais pessoas (não necessariamente cristãs) estivessem reunidas em seu nome, em qualquer lugar que fosse, sem necessidade de sacerdotes, templos e altares. De início não se tinha, como hoje, a noção de transubstanciação do pão e do vinho no corpo e sangue de Jesus, desenvolvida no final do primeiro e início do segundo milênio.

Serviço e poder

Com a oficialização do cristianismo como religião oficial do império romano, as atividades primitivas de bispos, presbíteros, diáconos e outros deixavam de ser mero serviço às comunidades para se constituir em exercício de poder de uma classe hierárquica. Os templos e altares pagãos se transformaram em igrejas cristãs, os presbíteros e bispos passaram a sacerdotes ministeriais. As primitivas reuniões eucarísticas de confraternização e ação de graças se transformaram em cerimônia sacrifical presididas privativamente pelo clero, com exclusão definitiva dos leigos.

Não se tem informação exata de quando a eucaristia dos primeiros cristãos passou a se chamar missa. O certo é que onde não havia sacerdote deixou de existir eucaristia e ali a vida cristã entrou também em declínio. Para sanar essa deficiência estrutural, igreja e dioceses investem, há séculos, no estímulo e formação de padres celibatários. Não se dão conta de que a solução não está aí, nem tampouco na admissão ou readmissão dos casados ou na polêmica ordenação de mulheres que, em último caso só encobririam a mal disfarçada sobrevivência e interesse de uma classe clerical ampliada.

Depois de séculos de hegemonia clerical, a solução parece estar, antes, no estímulo à formação de pequenos grupos liderados e administrados por leigos atuantes. Certos da presença do Senhor entre eles, esses grupos precisam ter liberdade para refletir sobre a mensagem evangélica, orando juntos e celebrando a eucaristia em família ou grupo de amigos, de modo espontâneo e diversificado, como faziam as comunidades primitivas.

Pessoas capazes e dispostas para essa missão existem, hoje, mais do que no tempo dos apóstolos. Mas é preciso acreditar nelas e encorajá-las a agir com criatividade, responsabilidade e destemor. Para não invadir os templos, domínio privativo do clero com liturgias sempre engessadas, importa que os encontros eucarísticos de hoje não queiram imitar ou simular missa. Ser criativo, inovar procedimentos sem a mesmice de cerimônias, orações e ritos litúrgicos repetitivos. Dividir experiências com outros. Avaliar e divulgar resultados. Lembrar, sobretudo que a recomendação de Jesus “Fazei isso em minha memória” não se dirige só aos apóstolos, mas para todos os presentes, incluindo amigos, sua mãe e outras mulheres.

Restringir, hoje, o mandato de Jesus apenas ao clero no interior dos templos é impedir que o movimento de Cristo se desenvolva no mundo.

*Diretor da Editora Ser e editor de Linha de Frente

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Documentos do Concílio Vaticano II

Da Constituição Pastoral Gaudium et Spes
Sobre a Igreja no Mundo Atual

A promoção do bem-comum (GS 26)

26. A interdependência, cada vez mais estreita e progressivamente estendida a todo o mundo, faz com que o bem comum - ou seja, o conjunto das condições da vida social que permitem, tanto aos grupos como a cada membro, alcançar mais plena e fàcilmente a própria perfeição - se torne hoje cada vez mais universal e que, por esse motivo, implique direitos e deveres que dizem respeito a todo o género humano. Cada grupo deve ter em conta as necessidades e legítimas aspirações dos outros grupos e mesmo o bem comum de toda a família humana (5).

Simultâneamente, aumenta a consciência da eminente dignidade da pessoa humana, por ser superior a todas as coisas e os seus direitos e deveres serem universais e invioláveis. É necessário, portanto, tornar acessíveis ao homem todas as coisas de que necessita para levar uma vida verdadeiramente humana: alimento, vestuário, casa, direito de escolher livremente o estado de vida e de constituir família, direito à educação, ao trabalho, à boa fama, ao respeito, à conveniente informação, direito de agir segundo as normas da própria consciência, direito à protecção da sua vida e à justa liberdade mesmo em matéria religiosa.

A ordem social e o seu progresso devem, pois, reverter sempre em bem das pessoas, já que a ordem das coisas deve estar subordinada à ordem das pessoas e não ao contrário; foi o próprio Senhor quem o insinuou ao dizer que o sábado fora feito para o homem, não o homem para o sábado (6). Essa ordem, fundada na verdade, construída sobre a justiça e vivificada pelo amor, deve ser cada vez mais desenvolvida e, na liberdade, deve encontrar um equilíbrio cada vez mais humano (7). Para o conseguir, será necessária a renovação da mentalidade e a introdução de amplas reformas sociais.

O Espírito de Deus, que dirige o curso dos tempos e renova a face da terra com admirável providência, está presente a esta evolução. E o fermento evangélico despertou e desperta no coração humano uma irreprimível exigência de dignidade.

Comentário: o texto ressalta a missão política do cristão. O cristão está convocado a ser profeta: denunciar todas as causas de desumanização e anunciar o Reino de Deus, reino de amor-caridade e justiça social, “aqui na terra como no céu”. Só pelo caminho político serão alcançadas essas metas agora inadiáveis, com vistas à plena humanização de todos os homens e mulheres ainda submetidos a situações indignas de vida.


FONTE : CORREIO MFC BRASIL Nº281 – 6800DESTINATÁRIO